Discovery the Elle Theory
Sábado, Maio 12, 2007
Terça-feira, Janeiro 02, 2007
Bárbara X Vallentina
Antonnio Benini, apresentou os integrantes de sua orquestra, e cantou uma última canção chamada I Hear Your Voice, que ganhou o Oscar de melhor canção no filme Intuição. O tenor pedira a Marcello para que na última canção, as luzes do salão se acendessem pois queria ver o rosto de cada um na platéia. Mas na realidade Antonnio ficara exaltado pela presença de Bárbara ali no recinto e desejava olhar para ela mais um vez. Não era todo dia que ele tinha a nítida sensação de estar olhando para sua mulher.
Cantando sua música preferida, ele lembrava do quanto Valentina, fora importante em sua vida. Até em sua morte ele aprendera com ela. Valentina, morrera de câncer há 5 anos atrás, e lhe deixara marcas profundas. Ele a considerava sua alma gêmea., desde a primeira vez em que a viu, ele soube que ela seria o amor de sua vida e de sua morte como costuma dizer. Desde seu falecimento, Antonnio tornou-se um homem ligado ao lado espiritual da vida. Entendia que para toda causa tinha um efeito, e interpretava a doença de sua mulher como uma dívida de vidas passadas de ambos. Se enganam aqueles que pensam que o resgate de vidas passadas é somente para quem tem a doença ou o infortúnio. Ele tinha consciência de que o resgate de sua mulher era também o seu, e eles deveriam enfrentá-lo juntos e fora o que fizeram.
Considerava a vida um aprendizado que deixava marcas na alma. Essas marcas seriam como memórias espirituais que carregamos ao longo de nossas vidas e que a medida que evoluímos vão se desaparecendo gradativamente.
De sua mesa, Bárbara conseguia perceber o olhar acalentador do tenor. Antonnio tentava não fixar seus olhos em Bárbara para não chamar atenção mas a energia que sentia quando olhava para ela era maior.
No final da apresentação, Marcello subiu ao palco para agradecer e convidar o tenor a se assentar em sua mesa e comunicou a todos presentes que quem tivesse pulseiras douradas poderiam participar de uma festa , que ele chamava de privê em sua vila em Toscana.
Desceram do palco e foram se assentar juntamente com Bárbara, Angella e Federico. Marcello apresentou todos ao tenor que se sentia cada vez mais encantado por Bárbara. Ela também sentira uma certa atração por ele. Marcello querendo entrosar o tenor na conversar disse:
- Meus amigos adoraram o show.
- Que bom! È a primeira vez que assistem ao meu show?
- Não! Assisti um show que você deu em Roma. - respondeu Federico
- E vocês? - perguntou Antonnio olhando para Bárbara e Angella
- Foi minha primeira de muitas. Sua voz transmite paz e aconchego. - respondeu Bárbara
- É o que tento passar para todos que ouvem minha música. Fico feliz em saber que de algum modo posso esta lhe fazendo bem. - retrucou Antonnio sem tirar os olhos de Bárbara
- Foi minha primeira vez também. E tive a mesma sensação de Bárbara. - respondeu Angella
- Ganhei minha noite. - replicou Antonnio
- Vai ficar em Veneza até quando? - perguntou Angella
Antonnio ia respondendo quando uma gritaria se fez na entrada do salão, dez pessoas mascaradas e munidas de metralhadoras, entraram tomando conta de todo recinto onde acontecia o baile.
Eles gritavam para que todos ficassem em seus lugares se quisessem continuar com vida. Fecharam todas as entradas e saídas do salão. Passavam pelas mesas olhando o rosto de cada um.
Federico sem saber o que fazer tentou se esconder debaixo da mesa quando um deles apontou e disse:
- Veja tem um ali querendo se esconder peguem-no.
A mesa de Bárbara fora tomada pelos homens, eles pegaram Federico e o algemaram. Um deles disse:
- Levem-no daqui agora.
Saíram todos levando Federico. Bárbara não pode fazer nada. Eles saíram do salão e desligaram a chave de eletricidade deixando todo o recinto no escuro.
- Meu Deus! O que essas pessoas querem com Federico? - perguntou Marcello
- Não sei! Temos que arrumar um jeito de ir atrás e agora. - respondeu Bárbara já se levantando
- Espere! - exclamou Antonnio segurando o braço de Bárbara
- Não posso, tenho que ir atrás antes que seja tarde demais. - respondeu Bárbara
- Mas o que uma mulher sozinha poderá fazer contra esses homens? - perguntou Antonnio
- Não pretendo ir sozinha. Vamos logo, antes que o percamos de vista. – respondeu Bárbara dando a entender que precisaria da ajuda deles
- Mas Bárbara esta tudo escuro, será difícil encontrar a saída. – falou Antonnio
- Bárbara é melhor esperar, você pode levar um tiro sem saber de onde veio nessa escuridão toda. - retrucou Angella
- É vocês tem razão. Mas porque levaram Federico?
- Não sabemos minha querida. Mas tenha calma quando a luz voltar pensaremos em que atitude tomar. - disse Antonnio segurando a mão de Bárbara
O salão do baile, se tornou um caos. As pessoas tentavam achar uma saída naquela escuridão mas de nada adiantava, pois as portas foram lacradas.
Um cheiro forte tomou conta do recinto, as pessoas começaram a ficar sonolentas. Bárbara soube pelo odor forte que a fumaça era de halotano, gás usado para analgesia.. Se a pessoa respirasse aquele ar por mais de 30 segundos cairiam em um sono profundo e só acordariam 8 horas depois. Ela reconhecendo o cheiro disse:
- Tapem o nariz, e tentem respirar o menos possível. Vamos entrem debaixo da mesa. - disse ela entrando debaixo da mesa
- Que cheiro é esse? - perguntou Angella já com o nariz tapado
- Halotano. Esse gás tem efeito anestésico. - respondeu Bárbara
- Como você sabe disso? - perguntou Marcello impressionado com a presteza de Bárbara
- Depois eu lhe explico. Agora façam o que eu disse. Respirem o menos possível.
Antonnio estava surpreso com a reação de Bárbara. Nunca havia visto uma mulher com tanto desprendimento como ela. Além de bonita era também uma mulher prevenida e parecia não se deixar abalar pelas surpresas da vida.
Bárbara parecia e muito com Vallentina, não só fisicamente mas as atitudes eram as mesmas. Antonnio se lembrava que no leito de morte de Vallentina, ela ainda tinha forças para amenizar a dor que ele sentia em perdê-la . Antes de falecer ela disse com um pequeno sorriso em seu rosto sofrido, que a morte não era aquilo que todos pensavam, mas sim uma passagem de um estado para outro assim como a água que se transforma em vapor e depois se torna chuva. Pediu para Antonnio, não lamentar sua morte, pois a morte não dói como a vida. Essas palavras finais de Vallentina soavam como um eco na cabeça de Antonnio. E vendo Bárbara ali ao seu lado, pode sentir a presença de Vallentina, algo que há muito tempo não sentia.
Um feixe de luz surgiu no meio do salão, parecia que uma porta havia sido aberta. Abriram as portas colossais do salão e Elizabeth, Natasha, Catherine e Anna entraram. Catherine e Anna procuravam a chave para acender todo o Pallazzio de novo, enquanto Elizabeth e Natasha andavam entre as pessoas que dormiam no chão do imenso salão. Chamavam por Bárbara quando ouviram:
- Estou aqui! - respondeu Bárbara mexendo na cadeira para que elas pudessem saber onde estava
A luz voltou ao salão , Elizabeth e Natasha puderam chegar na mesa de Bárbara. Centenas de pessoas deitadas no chão transformavam o salão e um imenso albergue.
- Bárbara você esta bem? - perguntou Elizabeth
- Estou e vocês como estão?
- Estamos bem. Onde esta Federico? - perguntou Natasha
- Levaram ele. Vocês não viram? - perguntou Bárbara
- Não! Vimos somente eles carregando uma pessoa algemada, mas estava com capuz, não deu para ver o rosto. E estava tudo muito escuro lá de fora. - respondeu Catherine chegando a mesa
- Esse aqui é Antonnio Benini, Angella e Marcello. - informou Bárbara apresentando seus amigos
- Vocês estão bem? Precisam de alguma coisa? - perguntou Anna
- Estamos sim, graças a sua amiga. - respondeu Antonnio olhando para Bárbara
- O que faremos com essas pessoas aqui? - perguntou Angella
- Não se preocupem já chamamos a polícia e os paramédicos. - respondeu Elizabeth
A imprensa chegou primeiro que a polícia e foram entrando pelo salão a procura de informação sobre o acontecido. A CNN e a BBC já estavam ali fazendo suas matérias ao vivo a respeito do ocorrido.
- Você pode nos dar uma declaração do que aconteceu aqui? - perguntou um repórter para Angella
- Antonnio Benini, o que aconteceu aqui? - outro repórter perguntava
árbara, Anna, Catherine, Elizabeth e Natasha, colocaram as máscaras do baile para não serem reconhecidas pela mídia e seguiram pedindo licença, retirando Antonnio do meio dos repórteres e seguiram para fora do Pallazzio. Angella vinha atrás com Marcello que dava um pequeno relato a imprensa do que havia acontecido ali.
A confusão parecia estar maior de fora do Pallazzio. Vários helicópteros de emissoras chegavam para cobrir um acontecimento que pela primeira vez ocorria no famoso Baile de Máscaras de Veneza.
Elas seguiam com Antonnio, Angella e Marcello, quando uma mão pegou na mão de Elizabeth:
- Venham por aqui!
- Aisha?
- Sim sou eu. Vi no noticiário o que aconteceu . Agora me sigam.
Marcello ficou no Pallazzio, pois como era o organizador da festa tinha várias providências a serem tomadas.
Aisha seguiu com eles pela rua debaixo Caminharam por ela até chegarem, viraram a esquerda e seguiram por uma ruela que dava direto no hotel onde estavam hospedados. O dia já começa a surgir e a névoa dava espaço para os raios de sol que brilhava no céu azul.
- Aisha, muito obrigada por nos ajudar! - exclamou Elizabeth
- Não foi nada. Vocês me ajudaram também! Não se esqueçam que hoje temos aquela reunião e sua amiga Bárbara poderá ir também. Não é mesmo Antonnio?
Cantando sua música preferida, ele lembrava do quanto Valentina, fora importante em sua vida. Até em sua morte ele aprendera com ela. Valentina, morrera de câncer há 5 anos atrás, e lhe deixara marcas profundas. Ele a considerava sua alma gêmea., desde a primeira vez em que a viu, ele soube que ela seria o amor de sua vida e de sua morte como costuma dizer. Desde seu falecimento, Antonnio tornou-se um homem ligado ao lado espiritual da vida. Entendia que para toda causa tinha um efeito, e interpretava a doença de sua mulher como uma dívida de vidas passadas de ambos. Se enganam aqueles que pensam que o resgate de vidas passadas é somente para quem tem a doença ou o infortúnio. Ele tinha consciência de que o resgate de sua mulher era também o seu, e eles deveriam enfrentá-lo juntos e fora o que fizeram.
Considerava a vida um aprendizado que deixava marcas na alma. Essas marcas seriam como memórias espirituais que carregamos ao longo de nossas vidas e que a medida que evoluímos vão se desaparecendo gradativamente.
De sua mesa, Bárbara conseguia perceber o olhar acalentador do tenor. Antonnio tentava não fixar seus olhos em Bárbara para não chamar atenção mas a energia que sentia quando olhava para ela era maior.
No final da apresentação, Marcello subiu ao palco para agradecer e convidar o tenor a se assentar em sua mesa e comunicou a todos presentes que quem tivesse pulseiras douradas poderiam participar de uma festa , que ele chamava de privê em sua vila em Toscana.
Desceram do palco e foram se assentar juntamente com Bárbara, Angella e Federico. Marcello apresentou todos ao tenor que se sentia cada vez mais encantado por Bárbara. Ela também sentira uma certa atração por ele. Marcello querendo entrosar o tenor na conversar disse:
- Meus amigos adoraram o show.
- Que bom! È a primeira vez que assistem ao meu show?
- Não! Assisti um show que você deu em Roma. - respondeu Federico
- E vocês? - perguntou Antonnio olhando para Bárbara e Angella
- Foi minha primeira de muitas. Sua voz transmite paz e aconchego. - respondeu Bárbara
- É o que tento passar para todos que ouvem minha música. Fico feliz em saber que de algum modo posso esta lhe fazendo bem. - retrucou Antonnio sem tirar os olhos de Bárbara
- Foi minha primeira vez também. E tive a mesma sensação de Bárbara. - respondeu Angella
- Ganhei minha noite. - replicou Antonnio
- Vai ficar em Veneza até quando? - perguntou Angella
Antonnio ia respondendo quando uma gritaria se fez na entrada do salão, dez pessoas mascaradas e munidas de metralhadoras, entraram tomando conta de todo recinto onde acontecia o baile.
Eles gritavam para que todos ficassem em seus lugares se quisessem continuar com vida. Fecharam todas as entradas e saídas do salão. Passavam pelas mesas olhando o rosto de cada um.
Federico sem saber o que fazer tentou se esconder debaixo da mesa quando um deles apontou e disse:
- Veja tem um ali querendo se esconder peguem-no.
A mesa de Bárbara fora tomada pelos homens, eles pegaram Federico e o algemaram. Um deles disse:
- Levem-no daqui agora.
Saíram todos levando Federico. Bárbara não pode fazer nada. Eles saíram do salão e desligaram a chave de eletricidade deixando todo o recinto no escuro.
- Meu Deus! O que essas pessoas querem com Federico? - perguntou Marcello
- Não sei! Temos que arrumar um jeito de ir atrás e agora. - respondeu Bárbara já se levantando
- Espere! - exclamou Antonnio segurando o braço de Bárbara
- Não posso, tenho que ir atrás antes que seja tarde demais. - respondeu Bárbara
- Mas o que uma mulher sozinha poderá fazer contra esses homens? - perguntou Antonnio
- Não pretendo ir sozinha. Vamos logo, antes que o percamos de vista. – respondeu Bárbara dando a entender que precisaria da ajuda deles
- Mas Bárbara esta tudo escuro, será difícil encontrar a saída. – falou Antonnio
- Bárbara é melhor esperar, você pode levar um tiro sem saber de onde veio nessa escuridão toda. - retrucou Angella
- É vocês tem razão. Mas porque levaram Federico?
- Não sabemos minha querida. Mas tenha calma quando a luz voltar pensaremos em que atitude tomar. - disse Antonnio segurando a mão de Bárbara
O salão do baile, se tornou um caos. As pessoas tentavam achar uma saída naquela escuridão mas de nada adiantava, pois as portas foram lacradas.
Um cheiro forte tomou conta do recinto, as pessoas começaram a ficar sonolentas. Bárbara soube pelo odor forte que a fumaça era de halotano, gás usado para analgesia.. Se a pessoa respirasse aquele ar por mais de 30 segundos cairiam em um sono profundo e só acordariam 8 horas depois. Ela reconhecendo o cheiro disse:
- Tapem o nariz, e tentem respirar o menos possível. Vamos entrem debaixo da mesa. - disse ela entrando debaixo da mesa
- Que cheiro é esse? - perguntou Angella já com o nariz tapado
- Halotano. Esse gás tem efeito anestésico. - respondeu Bárbara
- Como você sabe disso? - perguntou Marcello impressionado com a presteza de Bárbara
- Depois eu lhe explico. Agora façam o que eu disse. Respirem o menos possível.
Antonnio estava surpreso com a reação de Bárbara. Nunca havia visto uma mulher com tanto desprendimento como ela. Além de bonita era também uma mulher prevenida e parecia não se deixar abalar pelas surpresas da vida.
Bárbara parecia e muito com Vallentina, não só fisicamente mas as atitudes eram as mesmas. Antonnio se lembrava que no leito de morte de Vallentina, ela ainda tinha forças para amenizar a dor que ele sentia em perdê-la . Antes de falecer ela disse com um pequeno sorriso em seu rosto sofrido, que a morte não era aquilo que todos pensavam, mas sim uma passagem de um estado para outro assim como a água que se transforma em vapor e depois se torna chuva. Pediu para Antonnio, não lamentar sua morte, pois a morte não dói como a vida. Essas palavras finais de Vallentina soavam como um eco na cabeça de Antonnio. E vendo Bárbara ali ao seu lado, pode sentir a presença de Vallentina, algo que há muito tempo não sentia.
Um feixe de luz surgiu no meio do salão, parecia que uma porta havia sido aberta. Abriram as portas colossais do salão e Elizabeth, Natasha, Catherine e Anna entraram. Catherine e Anna procuravam a chave para acender todo o Pallazzio de novo, enquanto Elizabeth e Natasha andavam entre as pessoas que dormiam no chão do imenso salão. Chamavam por Bárbara quando ouviram:
- Estou aqui! - respondeu Bárbara mexendo na cadeira para que elas pudessem saber onde estava
A luz voltou ao salão , Elizabeth e Natasha puderam chegar na mesa de Bárbara. Centenas de pessoas deitadas no chão transformavam o salão e um imenso albergue.
- Bárbara você esta bem? - perguntou Elizabeth
- Estou e vocês como estão?
- Estamos bem. Onde esta Federico? - perguntou Natasha
- Levaram ele. Vocês não viram? - perguntou Bárbara
- Não! Vimos somente eles carregando uma pessoa algemada, mas estava com capuz, não deu para ver o rosto. E estava tudo muito escuro lá de fora. - respondeu Catherine chegando a mesa
- Esse aqui é Antonnio Benini, Angella e Marcello. - informou Bárbara apresentando seus amigos
- Vocês estão bem? Precisam de alguma coisa? - perguntou Anna
- Estamos sim, graças a sua amiga. - respondeu Antonnio olhando para Bárbara
- O que faremos com essas pessoas aqui? - perguntou Angella
- Não se preocupem já chamamos a polícia e os paramédicos. - respondeu Elizabeth
A imprensa chegou primeiro que a polícia e foram entrando pelo salão a procura de informação sobre o acontecido. A CNN e a BBC já estavam ali fazendo suas matérias ao vivo a respeito do ocorrido.
- Você pode nos dar uma declaração do que aconteceu aqui? - perguntou um repórter para Angella
- Antonnio Benini, o que aconteceu aqui? - outro repórter perguntava
árbara, Anna, Catherine, Elizabeth e Natasha, colocaram as máscaras do baile para não serem reconhecidas pela mídia e seguiram pedindo licença, retirando Antonnio do meio dos repórteres e seguiram para fora do Pallazzio. Angella vinha atrás com Marcello que dava um pequeno relato a imprensa do que havia acontecido ali.
A confusão parecia estar maior de fora do Pallazzio. Vários helicópteros de emissoras chegavam para cobrir um acontecimento que pela primeira vez ocorria no famoso Baile de Máscaras de Veneza.
Elas seguiam com Antonnio, Angella e Marcello, quando uma mão pegou na mão de Elizabeth:
- Venham por aqui!
- Aisha?
- Sim sou eu. Vi no noticiário o que aconteceu . Agora me sigam.
Marcello ficou no Pallazzio, pois como era o organizador da festa tinha várias providências a serem tomadas.
Aisha seguiu com eles pela rua debaixo Caminharam por ela até chegarem, viraram a esquerda e seguiram por uma ruela que dava direto no hotel onde estavam hospedados. O dia já começa a surgir e a névoa dava espaço para os raios de sol que brilhava no céu azul.
- Aisha, muito obrigada por nos ajudar! - exclamou Elizabeth
- Não foi nada. Vocês me ajudaram também! Não se esqueçam que hoje temos aquela reunião e sua amiga Bárbara poderá ir também. Não é mesmo Antonnio?
Quinta-feira, Novembro 23, 2006
Um almoço com Antonnio Beninni
Aisha havia deixado um envelope na recepção do hotel, no qual continha cinco convites para a reunião de logo mais a noite.
Catherine, Anna e Natasha, saboreavam um delicioso café da manhã no mezanino, quando o garçom chegou a mesa e entregou o envelope. Catherine pegou, abrindo o mesmo. Guardou os dois convites nomeados para Bárbara e Elizabeth e entregou os demais para suas amigas.
- Reunião Sagrada! - exclamou Catherine lendo o conteúdo do convite
- Ela não havia comentado sobre o teor desta reunião.
- Porque será que elas nos convidou para uma Reunião Sagrada? - perguntou Natasha curiosa
Ainda conversando sobre a reunião, elas sentiram ao mesmo tempo, uma sensação de plenitude. Desde que começaram a ser instruídas pelo Mestre Nassum, elas sabiam que esse tipo de sintonia coletiva, servia como um aviso para algo que dependeria da união e sabedoria de todas. Este tipo de intuição era algo que o mestre considerava um dom e que denominava: sexto sentido sagrado. Desde que ficou conhecendo as M@donnas Negras ele confirmou suas teorias a respeito do poder feminino.
O mestre era um admirador da alma feminina. Ele afirmava que a intuição feminina era muito mais sensitiva que a masculina. Só pelo fato de gerar uma criança, ela já se diferenciava em termos evolutivos, sensoriais e premonitórios. A aptidão da mulher em sentir é muito mais aguçada do que nos homens, pois ela sente de forma plena. Em suas palestras pelo mundo ele preconizava que toda mulher tinha a Sagrada Sabedoria, mas esta só estaria inerente a percepção se fosse canalizada de maneira intuitiva para o bem.
Nassum Dharma, desde que passou a conhecer mais profundamente as M@donnas Negras, pode revalidar a existência da Sagrada Sabedoria em sincronia com acontecimentos paralelos e de vidas passadas de cada uma delas.
A conversa entre Catherine, Anna e Natasha foi tão proveitosa a respeito do que poderia ser essa reunião sagrada que elas esqueceram de se encontrar com Bárbara e Elizabeth no saguão para irem almoçar com Antonnio Benini.
Saíram as pressas e tomaram o elevador indo para o hall de entrada do hotel. Antonnio Benini já estava esperando por elas.
- Desculpe nosso atraso. - antecipou Catherine chegando até Antonnio
- Imagine. Não tenho pressa e também cheguei tem alguns minutos. Tive que dar uma entrevista de última hora. - respondeu Antonnio
- Bárbara ainda não chegou? - perguntou Natasha
- Ainda não, mas pedi para o recepcionista avisá-la
- Deu para dormir bem, depois de tudo que aconteceu no Pallazzio? - perguntou Anna
- Não sou muito de dormir, mas até que deu para descansar algumas horas. E vocês como passaram?
- Passamos bem, mas Bárbara é quem esta mais abalada. – respondeu Anna
- Imagino que sim! Ela parece gostar muito de Federico. – retrucou Antonnio
Enquanto conversavam Bárbara surgiu no saguão acompanhada de Elizabeth e Angella. Foi a conta de Antonnio perceber sua presença para que desviasse sua atenção para ela. Parecia que a vida havia lhe preparado para esse encontro. Conhecer Bárbara foi como ter consciência do significado de sua existência.
Antonnio não gostava muito do que se falavam sobre amor a primeira vista mas sim em reconquista de um amor passado. Por acreditar em reencarnação, Antonnio se baseava no reencontro de almas afins. Ele considerava Bárbara uma alma afim, na qual ele tivera um sentimento forte em suas vidas passadas. Um sentimento tão forte como o que ele sentia por Bárbara não tinha como ser instantâneo e somente gerado nesta vida. Os sentimentos são um conjunto de emoções causadas por momentos vividos intensamente, e quando reencontramos com as pessoas das quais passamos esses momentos intensos, vem a tona todas as sensações vividas.
Despojadamente vestida com uma calça jeans, uma camisa branca e uma echarpe em tons de azul marinho, vermelho e branco, Bárbara tinha algo que a destoava das outras mulheres. Uma força parecia emanar de seu interior o que lhe dava uma aparência virginal porém muito sedutora. Era isso que mais encantava Antonnio.
- Me desculpem o atraso, mas tive que resolver umas pendências na empresa. - disse ela cumprimentando Antonnio
- Algum problema? - perguntou Anna preocupada
- Não. Apenas rotinas que necessitam de minha aprovação.
Essa resposta de Bárbara era uma espécie de código para avisar suas amigas, M@donnas Negras de que tinha informações importantes para serem lidas no e-mail. Todas menos Angella que não fazia parte da sociedade entenderam a "codificação" passada por Bárbara.
- Então, podemos ir? - perguntou Antonnio
- Claro! - respondeu Bárbara
Saíram do hotel e foram caminhando pelas ruelas de Veneza até a trattoria Poste de Vecie, no Rialto. Era o restaurante preferido de Antonnio o que ele não sabia é que era também o preferido de Bárbara. Uma ponte de madeira fazia ligação sobre o canal até a entrada da trattoria, eles passaram por sobre a ponte e entraram no restaurante. Antonnio havia feito uma reserva de mesa nos jardins, pois o dia estava bonito e para ele nada era mais prazeroso do que saborear uma belíssima refeição ao ar livre.
O jardim interno do Poste de Veice, era muito glamuroso, nada de muito grande porém muito aconchegante. O maitre os conduziu a mesa e esperou para que escolhessem o que iriam beber, quando um senhor chegou a mesa e perguntou:
- Qual de vocês é Angella?
- Sou eu. Porque?
- Esta encomenda é para senhora.
Angella assustada, agradeceu o senhor e foi logo abrindo o belíssimo embrulho. Todos na mesa estavam curiosos em saber o que havia dentro do pacote. Ela retirou a fita e o papel, abriu uma caixa de veludo azul e retirou de dentro um conjunto de jóias. Um colar e um par de brincos de pérolas negras.
Deslumbrada pelo precioso presente, Angella retirou da caixa um envelope no qual dizia o seguinte:
“Você não poderia estar de fora, sua essência completa a união sagrada. O elo se completou e com ele se inicia um novo clico de Fé.
Assinado: Maestro De La Creazione”
Catherine, Anna e Natasha, saboreavam um delicioso café da manhã no mezanino, quando o garçom chegou a mesa e entregou o envelope. Catherine pegou, abrindo o mesmo. Guardou os dois convites nomeados para Bárbara e Elizabeth e entregou os demais para suas amigas.
- Reunião Sagrada! - exclamou Catherine lendo o conteúdo do convite
- Ela não havia comentado sobre o teor desta reunião.
- Porque será que elas nos convidou para uma Reunião Sagrada? - perguntou Natasha curiosa
Ainda conversando sobre a reunião, elas sentiram ao mesmo tempo, uma sensação de plenitude. Desde que começaram a ser instruídas pelo Mestre Nassum, elas sabiam que esse tipo de sintonia coletiva, servia como um aviso para algo que dependeria da união e sabedoria de todas. Este tipo de intuição era algo que o mestre considerava um dom e que denominava: sexto sentido sagrado. Desde que ficou conhecendo as M@donnas Negras ele confirmou suas teorias a respeito do poder feminino.
O mestre era um admirador da alma feminina. Ele afirmava que a intuição feminina era muito mais sensitiva que a masculina. Só pelo fato de gerar uma criança, ela já se diferenciava em termos evolutivos, sensoriais e premonitórios. A aptidão da mulher em sentir é muito mais aguçada do que nos homens, pois ela sente de forma plena. Em suas palestras pelo mundo ele preconizava que toda mulher tinha a Sagrada Sabedoria, mas esta só estaria inerente a percepção se fosse canalizada de maneira intuitiva para o bem.
Nassum Dharma, desde que passou a conhecer mais profundamente as M@donnas Negras, pode revalidar a existência da Sagrada Sabedoria em sincronia com acontecimentos paralelos e de vidas passadas de cada uma delas.
A conversa entre Catherine, Anna e Natasha foi tão proveitosa a respeito do que poderia ser essa reunião sagrada que elas esqueceram de se encontrar com Bárbara e Elizabeth no saguão para irem almoçar com Antonnio Benini.
Saíram as pressas e tomaram o elevador indo para o hall de entrada do hotel. Antonnio Benini já estava esperando por elas.
- Desculpe nosso atraso. - antecipou Catherine chegando até Antonnio
- Imagine. Não tenho pressa e também cheguei tem alguns minutos. Tive que dar uma entrevista de última hora. - respondeu Antonnio
- Bárbara ainda não chegou? - perguntou Natasha
- Ainda não, mas pedi para o recepcionista avisá-la
- Deu para dormir bem, depois de tudo que aconteceu no Pallazzio? - perguntou Anna
- Não sou muito de dormir, mas até que deu para descansar algumas horas. E vocês como passaram?
- Passamos bem, mas Bárbara é quem esta mais abalada. – respondeu Anna
- Imagino que sim! Ela parece gostar muito de Federico. – retrucou Antonnio
Enquanto conversavam Bárbara surgiu no saguão acompanhada de Elizabeth e Angella. Foi a conta de Antonnio perceber sua presença para que desviasse sua atenção para ela. Parecia que a vida havia lhe preparado para esse encontro. Conhecer Bárbara foi como ter consciência do significado de sua existência.
Antonnio não gostava muito do que se falavam sobre amor a primeira vista mas sim em reconquista de um amor passado. Por acreditar em reencarnação, Antonnio se baseava no reencontro de almas afins. Ele considerava Bárbara uma alma afim, na qual ele tivera um sentimento forte em suas vidas passadas. Um sentimento tão forte como o que ele sentia por Bárbara não tinha como ser instantâneo e somente gerado nesta vida. Os sentimentos são um conjunto de emoções causadas por momentos vividos intensamente, e quando reencontramos com as pessoas das quais passamos esses momentos intensos, vem a tona todas as sensações vividas.
Despojadamente vestida com uma calça jeans, uma camisa branca e uma echarpe em tons de azul marinho, vermelho e branco, Bárbara tinha algo que a destoava das outras mulheres. Uma força parecia emanar de seu interior o que lhe dava uma aparência virginal porém muito sedutora. Era isso que mais encantava Antonnio.
- Me desculpem o atraso, mas tive que resolver umas pendências na empresa. - disse ela cumprimentando Antonnio
- Algum problema? - perguntou Anna preocupada
- Não. Apenas rotinas que necessitam de minha aprovação.
Essa resposta de Bárbara era uma espécie de código para avisar suas amigas, M@donnas Negras de que tinha informações importantes para serem lidas no e-mail. Todas menos Angella que não fazia parte da sociedade entenderam a "codificação" passada por Bárbara.
- Então, podemos ir? - perguntou Antonnio
- Claro! - respondeu Bárbara
Saíram do hotel e foram caminhando pelas ruelas de Veneza até a trattoria Poste de Vecie, no Rialto. Era o restaurante preferido de Antonnio o que ele não sabia é que era também o preferido de Bárbara. Uma ponte de madeira fazia ligação sobre o canal até a entrada da trattoria, eles passaram por sobre a ponte e entraram no restaurante. Antonnio havia feito uma reserva de mesa nos jardins, pois o dia estava bonito e para ele nada era mais prazeroso do que saborear uma belíssima refeição ao ar livre.
O jardim interno do Poste de Veice, era muito glamuroso, nada de muito grande porém muito aconchegante. O maitre os conduziu a mesa e esperou para que escolhessem o que iriam beber, quando um senhor chegou a mesa e perguntou:
- Qual de vocês é Angella?
- Sou eu. Porque?
- Esta encomenda é para senhora.
Angella assustada, agradeceu o senhor e foi logo abrindo o belíssimo embrulho. Todos na mesa estavam curiosos em saber o que havia dentro do pacote. Ela retirou a fita e o papel, abriu uma caixa de veludo azul e retirou de dentro um conjunto de jóias. Um colar e um par de brincos de pérolas negras.
Deslumbrada pelo precioso presente, Angella retirou da caixa um envelope no qual dizia o seguinte:
“Você não poderia estar de fora, sua essência completa a união sagrada. O elo se completou e com ele se inicia um novo clico de Fé.
Assinado: Maestro De La Creazione”
Domingo, Outubro 22, 2006
Federico Venerari um aficionado por obras bizantinas
Os homens seguiam com Federico até o Grand Canal onde um iate os aguardava. Entraram no iate dando ordem ao marinheiro de que eles podiam zarpar. O marinheiro mais que depressa saiu do canal navegando pelas águas translúcidas do Adriático.
O sol já se mostrava por completo, deixando as águas do mar mais reluzentes. Federico entrou na cabine master do iate, assentou-se numa poltrona móvel de couro e acessou a mesa de comando. Diante dele vários monitores mostravam partes internas e externas da Igreja Hagia Sophia(Santa Sofia), também conhecida como Sagrada Sabedoria, em Istambul.
Analisando as telas, ele se lembrou da primeira vez em que visitou Santa Sofia. Fora há mais ou menos 15 anos atrás. Ele havia feito uma viagem á Istambul a negócios e se encantou pela imponência a magnitude da mesquita. Tornou-se então uma obsessão para Federico estudar a fundo a história de Santa Sofia.
Olhando o monitor A, no qual mostrava a Nave Principal da mesquita, Federico se lembrava dos primeiros ensinamentos que recebera sobre o surgimento da arte bizantina.
Foi na oitava série quando o professor Robertto explicava o nascimento da arte bizantina no oriente. Em sua aula ele dizia que antiga capital do Império do mesmo nome constituído pela parte oriental do Império Romano, Bizâncio foi, em 330, rebatizada pelo imperador Constantino, transformando-se, sob o nome de Constantinopla (Constantinópolis), no centro da Igreja Oriental grego-ortodoxa.
O esplendor da cidade fora enriquecida pela sua posição geográfica no ponto de cruzamento das importantes vias comerciais, manifestou-se principalmente no século VI, durante o reinado do imperador Justiniano, o Grande. Fora graças a ele que diversas igrejas foram erguidas na cidade, destacando-se entre elas a de Santa Sofia, construída em 532 para servir de sede ao Patriarcado.
Federico que na época tinha uma colega com o nome Sophia, achara estranho saber que alguém poderia se chamar, Sabedoria. O professor explicava que a palavra Sophos - Sophia significa em grego, sabedoria. Dado esse nome à igreja, esta tornou-se simbolicamente, a depositária da santificada sapiência e transformou-se no centro da vida eclesiástica da Igreja Oriental. Destruída parcialmente em 558 por um terremoto, foi aperfeiçoada e enriquecida pelo arquiteto Isidoro, o Jovem.
Nenhum edifício bizantino posterior ultrapassou Santa Sofia em maturidade de ordenação da estrutura interna. A vasta nave central, coroada por enorme cúpula e ladeada por duas semi-cúpulas, produziu notáveis efeitos acústicos, tão a gosto da suntuosa liturgia grego-ortodoxa. A influência dessa igreja se refletia até no Ocidente; inspiraram se nela os arquitetos da basílica de São Marcos em Veneza, da igreja de São Vital de Ravena(itália) e até da catedral de Aquisgrano, na Alemanha.
O santuário de Santa Sofia foi separado da nave por uma fina parede, dentro da qual a porta central, chamada Porta Santa, e localizada defronte do altar, aprofundava o ambiente de mistério que caracteriza a liturgia local.
No interior da igreja, rico em mosaicos ocultos sob o reboco em época turca, e hoje em parte redescobertos, encontram-se numerosos exemplares de esculturas entalhadas, de capitéis rendilhados e de preciosos mármores policromos. Transformada Santa Sofia em mesquita, após a queda de Constantinopla. A queda do Império Otomano e a tomada do poder na Turquia pelo governo de Kemal Ataturk, conduziram à transformação, da então mesquita, num museu bizantino. Este mantém as características externas bizantino-cristãs conjugadas com as ulteriores adições muçulmanas; ao seu interior, porém, devolveram-se as primitivas características bizantinas, graças à remoção das camadas que as cobriam.
Relembrado essas passagens, ele pode sentir as mesmas emoções de sua primeira visita a Santa Sofia. Desde criança Federico se destoava dos outros meninos, devido seu comportamento adulto e sua inteligência. Participava de todas as exposições de arte com seus pais e gostava de ficar visitando museus e galerias de arte. Cresceu em um meio familiar muito culto e de grandes artistas. Seu avô fora um dos melhores escultores da Itália e seus pais foram os criadores da Instituição Art Noveau de Florença que atualmente se chamava Black Pearl. Então em sua veia corriam sangues artísticos, ele também gosta de dar suas pinceladas, mas por se dispor de pouco tempo devido a escuderia ele deixou as telas um pouco de lado. Mas procurava sempre participar de todos os leilões e exposições referentes principalmente a arte bizantina.
- Com licença, senhor! – interrompeu um homem que entrou na cabine
- O que houve? – perguntou Federico
- Onde iremos ancorar?
- Em Sicília. Me chame Pablo! – ordenou Federico
Federico pegou o telefone e ligou para Istambul:
- Kamilah, como estão as coisas por ai?
- Tudo dentro dos conformes. Estava só esperando um OK para começarmos a operação Black Pearl.
- Não quero um deslize. Façam tudo como combinamos assim ninguém desconfiará de nossas identidades.
- Tudo bem Federico. Pode ficar tranqüilo. Você sabe que eu te amo, não sabe?
- Claro que sei. Foi por isso que lhe confiei esta missão. Eu também te amo, mas amarei mais se tudo correr bem.
- Alguém desconfiou de seu falso rapto?
- Claro que não amore, fizemos tudo tão certo que até eu acreditei que estava sendo raptado. – respondeu Federico dando uma gargalhada
- Que bom! Reze por mim. Uno baccio, amore.
Pablo adentrou na cabine:
- Me chamou senhor?
- Sim Pablo, quero que me faça um favor. Ligue para este número de celular e diga exatamente o que está escrito neste papel.
Pablo pegou o telefone e ligou conforme Federico havia ordenado. Com o papel em sua mão ele lia exatamente como estava escrito para a pessoa do outro lado da linha:
“Para rever Federico Venerari com vida, queremos que desposite a seguinte quantia de US$7.000.000,00, no banco mundial de Verona, conta 2903-64 até no máximo amanhã as nove horas.”
O sol já se mostrava por completo, deixando as águas do mar mais reluzentes. Federico entrou na cabine master do iate, assentou-se numa poltrona móvel de couro e acessou a mesa de comando. Diante dele vários monitores mostravam partes internas e externas da Igreja Hagia Sophia(Santa Sofia), também conhecida como Sagrada Sabedoria, em Istambul.
Analisando as telas, ele se lembrou da primeira vez em que visitou Santa Sofia. Fora há mais ou menos 15 anos atrás. Ele havia feito uma viagem á Istambul a negócios e se encantou pela imponência a magnitude da mesquita. Tornou-se então uma obsessão para Federico estudar a fundo a história de Santa Sofia.
Olhando o monitor A, no qual mostrava a Nave Principal da mesquita, Federico se lembrava dos primeiros ensinamentos que recebera sobre o surgimento da arte bizantina.
Foi na oitava série quando o professor Robertto explicava o nascimento da arte bizantina no oriente. Em sua aula ele dizia que antiga capital do Império do mesmo nome constituído pela parte oriental do Império Romano, Bizâncio foi, em 330, rebatizada pelo imperador Constantino, transformando-se, sob o nome de Constantinopla (Constantinópolis), no centro da Igreja Oriental grego-ortodoxa.
O esplendor da cidade fora enriquecida pela sua posição geográfica no ponto de cruzamento das importantes vias comerciais, manifestou-se principalmente no século VI, durante o reinado do imperador Justiniano, o Grande. Fora graças a ele que diversas igrejas foram erguidas na cidade, destacando-se entre elas a de Santa Sofia, construída em 532 para servir de sede ao Patriarcado.
Federico que na época tinha uma colega com o nome Sophia, achara estranho saber que alguém poderia se chamar, Sabedoria. O professor explicava que a palavra Sophos - Sophia significa em grego, sabedoria. Dado esse nome à igreja, esta tornou-se simbolicamente, a depositária da santificada sapiência e transformou-se no centro da vida eclesiástica da Igreja Oriental. Destruída parcialmente em 558 por um terremoto, foi aperfeiçoada e enriquecida pelo arquiteto Isidoro, o Jovem.
Nenhum edifício bizantino posterior ultrapassou Santa Sofia em maturidade de ordenação da estrutura interna. A vasta nave central, coroada por enorme cúpula e ladeada por duas semi-cúpulas, produziu notáveis efeitos acústicos, tão a gosto da suntuosa liturgia grego-ortodoxa. A influência dessa igreja se refletia até no Ocidente; inspiraram se nela os arquitetos da basílica de São Marcos em Veneza, da igreja de São Vital de Ravena(itália) e até da catedral de Aquisgrano, na Alemanha.
O santuário de Santa Sofia foi separado da nave por uma fina parede, dentro da qual a porta central, chamada Porta Santa, e localizada defronte do altar, aprofundava o ambiente de mistério que caracteriza a liturgia local.
No interior da igreja, rico em mosaicos ocultos sob o reboco em época turca, e hoje em parte redescobertos, encontram-se numerosos exemplares de esculturas entalhadas, de capitéis rendilhados e de preciosos mármores policromos. Transformada Santa Sofia em mesquita, após a queda de Constantinopla. A queda do Império Otomano e a tomada do poder na Turquia pelo governo de Kemal Ataturk, conduziram à transformação, da então mesquita, num museu bizantino. Este mantém as características externas bizantino-cristãs conjugadas com as ulteriores adições muçulmanas; ao seu interior, porém, devolveram-se as primitivas características bizantinas, graças à remoção das camadas que as cobriam.
Relembrado essas passagens, ele pode sentir as mesmas emoções de sua primeira visita a Santa Sofia. Desde criança Federico se destoava dos outros meninos, devido seu comportamento adulto e sua inteligência. Participava de todas as exposições de arte com seus pais e gostava de ficar visitando museus e galerias de arte. Cresceu em um meio familiar muito culto e de grandes artistas. Seu avô fora um dos melhores escultores da Itália e seus pais foram os criadores da Instituição Art Noveau de Florença que atualmente se chamava Black Pearl. Então em sua veia corriam sangues artísticos, ele também gosta de dar suas pinceladas, mas por se dispor de pouco tempo devido a escuderia ele deixou as telas um pouco de lado. Mas procurava sempre participar de todos os leilões e exposições referentes principalmente a arte bizantina.
- Com licença, senhor! – interrompeu um homem que entrou na cabine
- O que houve? – perguntou Federico
- Onde iremos ancorar?
- Em Sicília. Me chame Pablo! – ordenou Federico
Federico pegou o telefone e ligou para Istambul:
- Kamilah, como estão as coisas por ai?
- Tudo dentro dos conformes. Estava só esperando um OK para começarmos a operação Black Pearl.
- Não quero um deslize. Façam tudo como combinamos assim ninguém desconfiará de nossas identidades.
- Tudo bem Federico. Pode ficar tranqüilo. Você sabe que eu te amo, não sabe?
- Claro que sei. Foi por isso que lhe confiei esta missão. Eu também te amo, mas amarei mais se tudo correr bem.
- Alguém desconfiou de seu falso rapto?
- Claro que não amore, fizemos tudo tão certo que até eu acreditei que estava sendo raptado. – respondeu Federico dando uma gargalhada
- Que bom! Reze por mim. Uno baccio, amore.
Pablo adentrou na cabine:
- Me chamou senhor?
- Sim Pablo, quero que me faça um favor. Ligue para este número de celular e diga exatamente o que está escrito neste papel.
Pablo pegou o telefone e ligou conforme Federico havia ordenado. Com o papel em sua mão ele lia exatamente como estava escrito para a pessoa do outro lado da linha:
“Para rever Federico Venerari com vida, queremos que desposite a seguinte quantia de US$7.000.000,00, no banco mundial de Verona, conta 2903-64 até no máximo amanhã as nove horas.”
Terça-feira, Outubro 10, 2006
Hagia Sophia - Istambul
Istambul durante a noite parecia um cenário das Mil e Uma Noites. O céu completamente iluminado de estrelas tornava a mesquita de Hagia Sophia algo especial e exuberante.
Kamilah conseguia acompanhar tudo que se passava na mesquita. Os homens de Federico haviam entrado em Santa Sofia em busca de um mosaico bizantino cravejado de pérolas negras e diamantes. Eles atravessaram a nave principal em busca da obra que se encontrava na ala sul da mesquita. Com o mapa nas mãos eles seguiam em direção ao famoso mosaico Madonnas Negras.
Legenda da imagem acima:
1 – Casa do Relógio; 2 – A Escola; 3 – A Fonte; 4 – O Batistério (mausoléus do Sultão Ibrahim e Mustafa); 5 –Mausoléu dos Príncipes Coroados; 6 – Mausoléu do Sultão Murad III; 7 - Mausoléu do Sultão Selim II; 8 - Mausoléu do Sultão Mehmet III; 9 - The present entrance door; 10 – Painel com mosaico de Constantino, Justiano com Maria e Cristo; 11 - Impreador Leon VI amapardo em frente Cristo.; 12 – Estiloso ornamento bizantino de armas; 13 – Urnas de mármore trazidas de Bergama; 14 – Bancos de mármore construídos pelo Sultão Murad III; 15 – Tribuna de Muezzin construída pelo Sultão Murad IV; 16 - Omphalos (Ponto de coroação); 17 - Minbar; 18 – Banco de Sovereign construído e reformado; 19 – O banco anterior de Sovereign; 20 – O corredor próximo ao Minbar e a imagem de Kaaba; 21 – O Altar Mihrab; 22 – A coluna que sua (miraculosa coluna de Hagius Grigorious na era Bizantina); 23 – Biblioteca construída pelo Sultão Mahmud I; 24 – Local no qual eram colocados pratos de mármore feitos a mão; 25 – Sinuosa rampa que leva a galeria; 26 – O Tesouro na era Bizantina (Skevophylakion); 27 – Quarto atrás do banco de Sovereign; 28 – Parede sagrada; 29 - Metatorium (somente para os imperadores); 30 – Porta para entrada leste; 31 - Horologion; 32 – Fonte pública; 33 – Reservatórios de água; 34 -Minaretes;35 -Imaret (local para caridade); 36 – Portão de entrada para o Imaret; 37 - Ounterforts; 38 – Os restos de St Sophia de Theodosius II.
Não tinha como andar pela mesquita e não se maravilhar com a beleza e magnitude de Hagia Sophia. Mizael e seus homens pararam por um momento e se maravilharam com a arquitetura interior. Mesmo com ósculos de visão noturna eles conseguiam ver a esplendorosa decoração.
Hagia Sophia é um vasto retângulo, que mede aproximadamente 100 m X 70 m, com um nártex, ou pórtico, interior e, primitivamente, um átrio ou pátio anterior. O corpo principal da igreja tem naves circundantes, com pouco mais de 15 m de largura, com abóbadas e galerias. Estas naves laterais estão separadas da área central por colunatas - tendo cada coluna um fuste simples de mármore.
Estas naves reduzem a área litúrgica central para 76 metros X 33 m. A cúpula tem 33 m de diâmetro, mas o espaço que cobre estende-se para oriente e ocidente, por meio de grandes semi-cúpulas adjacentes. Estas, por seu turno, abrem para espaços semicirculares, chamados "êxedras". A cúpula principal assenta sobre um quadrado, suportada por quatro pendentes e quatro grandes arcos. Estes quatro arcos transmitem o empuxo para o lado oriental e ocidental mediante as semi-cúpulas acima descritas, e para o lado norte e sul, mediante quatro grandes contrafortes, cada um com cerca de 18 m por 7,5 m, que emergem exteriormente acima dos telhados, das naves laterais.
As semi-cúpulas suportam o empuxo da cúpula principal e, por sua vez o empuxo atinge finalmente o solo, a mais de 30 m do primeiro ponto de impacto. Tudo poderia ter refundado num caos estético, não tivessem as semi-cúpulas e arcos principais arrancado de uma linha horizontal que ocorre a toda a volta do interior. Abaixo desta linha, todas as paredes eram revestidas de mármore, acima dela só havia mosaicos.
A grande cúpula - a 56 m do solo - tem na realidade nervuras. Isto é pouco comum nas obras bizantinas, mas possibilita que o empuxo da cúpula se transmita às 40 nervuras e que, entre estas, na base da cúpula se abram 40 pequenas janelas. Este círculo de luz difusa faz reverberar os mosaicos azuis e dourados. Por isso, Procopius afirmou que a cúpula de Procopius estava suspensa do céu por uma corrente.
O objetivo dos arquitetos, Anthemius de Tralles e Isidorus de Mileto, era construir um interior não só impressionante mas também funcional. Os espaços de Hagia Sophia - arena, naves laterais, êxedras, conchas, abóbadas e cúpulas - abrem todos para fora e para cima, proporcionando perspectivas, relances que vão mudando; tudo é misterioso e semi-oculto e, todavia, tudo está revelado. Procopius descreveu as dualidades existentes: luz e penumbra, espaço e massa, mistério e claridade.
As abóbadas pairam, as colunas executam uma dança coral, a cúpula central está suspensa do céu. Procopius descreveu também as cores: os mosaicos, o brilho difuso do mármore cinzento nas paredes, os fustes de mármore esverdeado, azul e amarelo com veias, os relevos riçados dos capitéis, a madrepérola e as luzes douradas suspensas.
Hagia Sophia era simplesmente lógica, sendo estrutural, decorativa e funcional.
O portão imperial conduz à nave central de Hagia Sophia, o magnífico efeito criado pela enorme cúpula, pelas colunas e arcos de mármore é irresistível. A cúpula tem aproximadamente 55,6 metros de altura por 31,4 metros de largura. Devido às reparações e aos tremores que ocorreram ao longo dos séculos, a cúpula já não é completamente circular. O teto é completamente coberto de mosaicos. A cúpula assenta sobre quatro grandes arcos e estes suportados por quatro pilares.
Ainda na nave principal da mesquita eles puderam ver, a riqueza do chão todo coberto de mármore branco e cinzento, mármores estes que vieram da Ilha de Mármara. A área quadrada do pavimento perto do púlpito do padre é toda decorada com placas quadradas e circulares de mármore. Os imperadores eram coroados ali, no século XIII. O tipo de chão é estranho ao estilo arquitetônico de Hagia Sophia, por isso, deve ser proveniente de outro monumento. O púlpito do padre e os pequenos assentos eram postos de maneira a não perturbar o efeito da arquitetura geral.
As enormes urnas, em ambos os lados do portão imperial, foram trazidas das antigas ruínas de Bergama que foram uma oferta do Sultão Murad III a Hagia Sophia.
Eles seguiram para o final da nave principal entrando na nave sul onde estava o famoso mosaico das Madonnas Negras.
Este mosaico fora todo trabalhado com diamantes e pérolas negras em homenagem a uma mulher que amamentava seu filho em seus braços e ao seu lado havia uma baú de jóias e pedras preciosas. Este mosaico na época havia causado certa polêmica sobre sua interpretação. Estudiosos e artes bizantinas e teologia, diziam que a mulher desde os tempos mais remotos, eram tão vaidosa a ponto de carregar consigo suas bagagens de luxúria.
Afirmações estas que diminuíam a imagem feminina. Uma parte desses estudiosos diziam que somente uma alma feminina poderia ter tanta responsabilidade ao carregar um filho e um baú repleto de preciosidades. Afirmavam que a mulher por sua essência era mais evoluída espiritualmente do que o homem e por isso sua “bagagem” requeria uma responsabilidade que só as almas femininas possuíam.
Segunda-feira, Outubro 02, 2006
O Show de Antonnio Benini
Todos aguardavam ansiosos pela apresentação do tenor italiano, Antonnio Benini. Não fora fácil conseguir um espaço na concorrida agenda do cantor. Sua fama já ultrapassara a fronteira italiana, e era muito difícil e caro conseguir um show com ele.
Depois da morte trágica de sua esposa, Antonnio Benini passou a iniciar e finalizar suas apresentações com orações. Essas orações eram de sua própria autoria, pois achava que a originalidade renovaria o poder da fé nas pessoas. A partir de então ele passou a ser conhecido como Tenor das Orações. Em seu último show no Paternon em Atenas ele reuniu mais de 130 mil pessoas que buscavam um conforto espiritual em suas orações e canções. Aclamado pela mídia ele passou a escrever uma coluna diária no jornal Buon Diorno Italia.
Era contra o fanatismo mas reconhecia ser fanático por obras de arte principalmente, quadros renascentistas. Como sempre pedira para que o palco fosse decorado com obras de artes e um imenso espelho.
Marcello estava orgulhoso por ter conseguido trazer Antonnio Benini para o baile de máscaras. Assentado a mesa com Bárbara, Federico e Angella ele contou rapidamente um pouco da vida do tenor para eles.
- Eu li um artigo na Times de que já existe um grupo de fiéis que o seguem. - informou Bárbara
- É verdade. Eles estão aqui na porta querendo assistir ao show. - respondeu Marcello
- E como vai fazer? - perguntou Angella
- Já mandei bloquear a entrada, até o término do show ninguém entra e ninguém sai. - disse Marcello
- Cheguei a conhecê-lo pessoalmente na inauguração de minha revenda em Paris. Aliás ele é um ótimo cliente da Venerari. - informou Federico
- Fico pensando que uma pessoa como Antonnio Benini, pode vir a se tornar um guia religioso. Já pensaram nessa idéia? - argüiu Bárbara
- Claro que já minha cara. E lhe falo mais, os tablóides andam dizendo que ele pretende instituir uma religião. - falou Marcello
- Não acredito que seja verdade. Entre ele ter uma grande quantidade de fiéis e instituir uma religião é outra coisa muito mais difícil. - retrucou Federico
- Não penso assim, acho que as pessoas estão a cada dia mais ligadas à religião e suas novas diretrizes. A igreja católica chegou a dominar o mundo mas foi perdendo espaço para outras religiões como, budismo, protestantismo, judaísmo, espiritismo por terem outros dogmas. - replicou Bárbara
- Concordo com você. O que as pessoas necessitam é de renovação de fé e isso implica em uma nova forma de crença. - continuou Angella
- Com isso, vocês estão querendo dizer que acreditam que Antônio possa instituir uma nova religião? - perguntou Federico
- Claro que sim. Poder de persuasão ele tem, basta somente ele querer isso. - respondeu Bárbara
Alguns tocheiros e candelabros foram devidamente apagados para dar início ao show de Antônio Benini.
Usando uma máscara volto, e trajado com um smoking preto Antonnio Benini adentrou ao palco cantando sua nova música de trabalho: Fattum. Retirando a máscara ele caminhou de um lado para outro cumprimentando a platéia e iniciou o show com uma oração:
Senhor,
Venho lhe agradecer pela vida que me destes.
Tenho consciência do que sou e do meu papel para com o próximo.
Agradeço ó senhor que me destes uma intuição aguçada capaz de me fazer refletir na escolha do melhor caminho a seguir
Hoje, depois de ter passado por sofrimentos, me sinto mais forte e capaz de ajudar aqueles que necessitam
Quero ser não apenas uma pessoa que ajuda ao próximo mas um motivo a mais para promover a fé entre as pessoas
Que minha música consiga amenizar as almas aflita, pois são essas as que mais sofrem
Obrigado por mais essa oportunidade.
Amén
Ao acabar a oração todos no salão se sentaram e puderam apreciar o show do tenor. Seu porte teso e sua beleza era o que deixava as mulheres mais encantadas. Com 44 anos e sem compromisso amoroso, Antonnio se considerava na flor da idade, pois dizia que só o sofrimento e o amadurecimento podem trazer a vivência plena. Do palco saiam canhões de luz e laser que iluminavam todo o salão.
Bárbara assistia compenetrada a apresentação do tenor. Federico vendo que ela não tirava os olhos do palco disse:
- Parece estar gostando.
- Estou. Já lhe contei que aos vinte anos fiz um teste para entrar no coro da igreja?
- Não.
- Pois é sempre tive vontade de cantar óperas, mas infelizmente não tinha voz para isso.
- Não passou no teste?
- Não. Acho que é por isso que fico tão compenetrada em um show assim.
Federico disfarçava sua preocupação muito bem. Ninguém na mesa havia reparado até então. Seus pensamentos estavam voltados para o sumiço da escuta. Angella percebeu a inquietação de Federico e foi aí que ela notou que ele estava usando o casaco que lhe emprestara. No mesmo instante ela se levantou indo ao toillet.
Chegando lá, ela pegou o celular e ligou para Bárbara, dizendo para que ela fosse até o toillet. Bárbara se levantou e também viu o mesmo que Angella. Federico estava usando o casaco e pelo seu semblante dava para notar que ele havia descoberto o sumiço da escuta. Ela se dirigiu a ele e disse:
- Vou ao toillet retocar a maquiagem. Me emocionei com essa música.
- Não demore, pois posso morrer de saudades. - respondeu ele tentando parecer normal
Ela passou em frente ao palco, segurando sua máscara na mão, quando Antonnio Benini a viu. Ele ficou completamente atônito, não sabia se era uma visão ou se aquela mulher passando de frente ao palco era real. Acompanhando-a com os olhos ele caminhou até a ponta do palco tentando ver onde ela iria.
Bárbara entrou no toillet e disse:
- Federico esta usando o casaco. Acho que ele já deu falta da escuta.
- Era isso que eu queria lhe dizer. E agora o que faremos?
- Acho melhor ficarmos quietas.
- Onde você guardou a escuta?
- Aqui, dentro. Essa roupa tem bolsos internos. - respondeu Bárbara se dando conta de um detalhe que ainda não havia percebido, Angella soube desde o primeiro instante em que pegou o broche que ele era uma escuta. Como ela poderia saber disso?
Uma escuta como aquela não era de fácil identificação. Somente as pessoas ligadas à alta espionagem poderiam saber de imediato o que na verdade se escondia por detrás daquele broche.
Depois da morte trágica de sua esposa, Antonnio Benini passou a iniciar e finalizar suas apresentações com orações. Essas orações eram de sua própria autoria, pois achava que a originalidade renovaria o poder da fé nas pessoas. A partir de então ele passou a ser conhecido como Tenor das Orações. Em seu último show no Paternon em Atenas ele reuniu mais de 130 mil pessoas que buscavam um conforto espiritual em suas orações e canções. Aclamado pela mídia ele passou a escrever uma coluna diária no jornal Buon Diorno Italia.
Era contra o fanatismo mas reconhecia ser fanático por obras de arte principalmente, quadros renascentistas. Como sempre pedira para que o palco fosse decorado com obras de artes e um imenso espelho.
Marcello estava orgulhoso por ter conseguido trazer Antonnio Benini para o baile de máscaras. Assentado a mesa com Bárbara, Federico e Angella ele contou rapidamente um pouco da vida do tenor para eles.
- Eu li um artigo na Times de que já existe um grupo de fiéis que o seguem. - informou Bárbara
- É verdade. Eles estão aqui na porta querendo assistir ao show. - respondeu Marcello
- E como vai fazer? - perguntou Angella
- Já mandei bloquear a entrada, até o término do show ninguém entra e ninguém sai. - disse Marcello
- Cheguei a conhecê-lo pessoalmente na inauguração de minha revenda em Paris. Aliás ele é um ótimo cliente da Venerari. - informou Federico
- Fico pensando que uma pessoa como Antonnio Benini, pode vir a se tornar um guia religioso. Já pensaram nessa idéia? - argüiu Bárbara
- Claro que já minha cara. E lhe falo mais, os tablóides andam dizendo que ele pretende instituir uma religião. - falou Marcello
- Não acredito que seja verdade. Entre ele ter uma grande quantidade de fiéis e instituir uma religião é outra coisa muito mais difícil. - retrucou Federico
- Não penso assim, acho que as pessoas estão a cada dia mais ligadas à religião e suas novas diretrizes. A igreja católica chegou a dominar o mundo mas foi perdendo espaço para outras religiões como, budismo, protestantismo, judaísmo, espiritismo por terem outros dogmas. - replicou Bárbara
- Concordo com você. O que as pessoas necessitam é de renovação de fé e isso implica em uma nova forma de crença. - continuou Angella
- Com isso, vocês estão querendo dizer que acreditam que Antônio possa instituir uma nova religião? - perguntou Federico
- Claro que sim. Poder de persuasão ele tem, basta somente ele querer isso. - respondeu Bárbara
Alguns tocheiros e candelabros foram devidamente apagados para dar início ao show de Antônio Benini.
Usando uma máscara volto, e trajado com um smoking preto Antonnio Benini adentrou ao palco cantando sua nova música de trabalho: Fattum. Retirando a máscara ele caminhou de um lado para outro cumprimentando a platéia e iniciou o show com uma oração:
Senhor,
Venho lhe agradecer pela vida que me destes.
Tenho consciência do que sou e do meu papel para com o próximo.
Agradeço ó senhor que me destes uma intuição aguçada capaz de me fazer refletir na escolha do melhor caminho a seguir
Hoje, depois de ter passado por sofrimentos, me sinto mais forte e capaz de ajudar aqueles que necessitam
Quero ser não apenas uma pessoa que ajuda ao próximo mas um motivo a mais para promover a fé entre as pessoas
Que minha música consiga amenizar as almas aflita, pois são essas as que mais sofrem
Obrigado por mais essa oportunidade.
Amén
Ao acabar a oração todos no salão se sentaram e puderam apreciar o show do tenor. Seu porte teso e sua beleza era o que deixava as mulheres mais encantadas. Com 44 anos e sem compromisso amoroso, Antonnio se considerava na flor da idade, pois dizia que só o sofrimento e o amadurecimento podem trazer a vivência plena. Do palco saiam canhões de luz e laser que iluminavam todo o salão.
Bárbara assistia compenetrada a apresentação do tenor. Federico vendo que ela não tirava os olhos do palco disse:
- Parece estar gostando.
- Estou. Já lhe contei que aos vinte anos fiz um teste para entrar no coro da igreja?
- Não.
- Pois é sempre tive vontade de cantar óperas, mas infelizmente não tinha voz para isso.
- Não passou no teste?
- Não. Acho que é por isso que fico tão compenetrada em um show assim.
Federico disfarçava sua preocupação muito bem. Ninguém na mesa havia reparado até então. Seus pensamentos estavam voltados para o sumiço da escuta. Angella percebeu a inquietação de Federico e foi aí que ela notou que ele estava usando o casaco que lhe emprestara. No mesmo instante ela se levantou indo ao toillet.
Chegando lá, ela pegou o celular e ligou para Bárbara, dizendo para que ela fosse até o toillet. Bárbara se levantou e também viu o mesmo que Angella. Federico estava usando o casaco e pelo seu semblante dava para notar que ele havia descoberto o sumiço da escuta. Ela se dirigiu a ele e disse:
- Vou ao toillet retocar a maquiagem. Me emocionei com essa música.
- Não demore, pois posso morrer de saudades. - respondeu ele tentando parecer normal
Ela passou em frente ao palco, segurando sua máscara na mão, quando Antonnio Benini a viu. Ele ficou completamente atônito, não sabia se era uma visão ou se aquela mulher passando de frente ao palco era real. Acompanhando-a com os olhos ele caminhou até a ponta do palco tentando ver onde ela iria.
Bárbara entrou no toillet e disse:
- Federico esta usando o casaco. Acho que ele já deu falta da escuta.
- Era isso que eu queria lhe dizer. E agora o que faremos?
- Acho melhor ficarmos quietas.
- Onde você guardou a escuta?
- Aqui, dentro. Essa roupa tem bolsos internos. - respondeu Bárbara se dando conta de um detalhe que ainda não havia percebido, Angella soube desde o primeiro instante em que pegou o broche que ele era uma escuta. Como ela poderia saber disso?
Uma escuta como aquela não era de fácil identificação. Somente as pessoas ligadas à alta espionagem poderiam saber de imediato o que na verdade se escondia por detrás daquele broche.
Domingo, Setembro 24, 2006
No avião rumo a Veneza
O boing 767 da American Airlines sobrevoava o oceano atlântico rumo à Veneza. Elizabeth acomodada confortavelmente numa poltrona da primeira classe, lia a revista Tatler, onde havia uma matéria falando a respeito do filme que fizera com o ator Matthew Lanes.
Catwalks, um filme envolvente, onde Elizabeth fez o papel de Stephanie Milles, uma top model que devido a correria de sua vida não conseguia manter seus relacionamentos amorosos. Sempre em busca de ser a melhor em seu trabalho, Stephanie entrou em depressão ao encontrar seu namorado com outra na cama. O ator Matthew Lanes, fez o papel do Dr. Stevie Jhonson, um psiquiatra que começa a tratar de Stephanie e se apaixona por ela.
Elizabeth lia atentamente a matéria quando, Natasha que havia voltado do banheiro disse assustada:
- Olhe o que encontrei?
- Onde encontrou?
- No banheiro dentro desta caixa.
- Nossa que preciosidade é essa! Não se acha uma jóia dessas facilmente. Aliás é muito raro de se encontrar. Por isso acho melhor pedir a aeromoça para anunciar que você achou, pois a dona deve estar louca atrás desse broche.
- Nós somos as donas!
- O que? Como assim?
- Elizabeth, veja atrás do broche.
Elizabeth ao virar o broche levou tanto susto que chamou atenção de Catherine e Anna que estavam nas outras duas poltronas do outro lado do corredor. Ao ver o susto que Elizabeth tivera Anna e Catherine foram até ela.
- O que esta acontecendo?
- Natasha encontrou este broche dentro desta caixa no banheiro. Leiam o que esta gravado nas costas dele - informou Elizabeth passando a caixa com o broche para Anna e Catherine
Elas também tiveram a mesma reação que sua amiga.
- Onde exatamente estava este broche Natasha? - perguntou Anna
- Dentro da pia do banheiro.
- Tinha alguma pessoa saindo do banheiro quando você entrou? - perguntou Catherine
- Tinha sim, um homem.
- Então vamos procurá-lo. - exclamou Elizabeth
Enquanto elas falavam sobre o broche um tumulto se originou do outro lado da aeronave. Um dos passageiros estava tendo um ataque cardíaco e por sorte quatro passageiros que ali estavam eram médicos e aplicavam os primeiros socorros. Os quatros médicos sendo três homens e uma mulher tentaram de tudo até usaram o desfribilizador da aeronave mas foi tudo em vão. O passageiro acabou falecendo.
Uma confusão tomou conta da classe econômica da aeronave. Pessoas assustadas com a morte repentina do homem, choravam e rezavam ao mesmo tempo. Um padre que também estava no vôo fez uma oração pedindo paz ao espírito daquele cadáver .
Catherine, Elizabeth e Anna chegaram perto do morto quando Natasha que já estava lá exclamou:
- Foi ele quem saiu do banheiro quando entrei!
Catwalks, um filme envolvente, onde Elizabeth fez o papel de Stephanie Milles, uma top model que devido a correria de sua vida não conseguia manter seus relacionamentos amorosos. Sempre em busca de ser a melhor em seu trabalho, Stephanie entrou em depressão ao encontrar seu namorado com outra na cama. O ator Matthew Lanes, fez o papel do Dr. Stevie Jhonson, um psiquiatra que começa a tratar de Stephanie e se apaixona por ela.
Elizabeth lia atentamente a matéria quando, Natasha que havia voltado do banheiro disse assustada:
- Olhe o que encontrei?
- Onde encontrou?
- No banheiro dentro desta caixa.
- Nossa que preciosidade é essa! Não se acha uma jóia dessas facilmente. Aliás é muito raro de se encontrar. Por isso acho melhor pedir a aeromoça para anunciar que você achou, pois a dona deve estar louca atrás desse broche.
- Nós somos as donas!
- O que? Como assim?
- Elizabeth, veja atrás do broche.
Elizabeth ao virar o broche levou tanto susto que chamou atenção de Catherine e Anna que estavam nas outras duas poltronas do outro lado do corredor. Ao ver o susto que Elizabeth tivera Anna e Catherine foram até ela.
- O que esta acontecendo?
- Natasha encontrou este broche dentro desta caixa no banheiro. Leiam o que esta gravado nas costas dele - informou Elizabeth passando a caixa com o broche para Anna e Catherine
Elas também tiveram a mesma reação que sua amiga.
- Onde exatamente estava este broche Natasha? - perguntou Anna
- Dentro da pia do banheiro.
- Tinha alguma pessoa saindo do banheiro quando você entrou? - perguntou Catherine
- Tinha sim, um homem.
- Então vamos procurá-lo. - exclamou Elizabeth
Enquanto elas falavam sobre o broche um tumulto se originou do outro lado da aeronave. Um dos passageiros estava tendo um ataque cardíaco e por sorte quatro passageiros que ali estavam eram médicos e aplicavam os primeiros socorros. Os quatros médicos sendo três homens e uma mulher tentaram de tudo até usaram o desfribilizador da aeronave mas foi tudo em vão. O passageiro acabou falecendo.
Uma confusão tomou conta da classe econômica da aeronave. Pessoas assustadas com a morte repentina do homem, choravam e rezavam ao mesmo tempo. Um padre que também estava no vôo fez uma oração pedindo paz ao espírito daquele cadáver .
Catherine, Elizabeth e Anna chegaram perto do morto quando Natasha que já estava lá exclamou:
- Foi ele quem saiu do banheiro quando entrei!





