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domingo, outubro 22, 2006

Federico Venerari um aficionado por obras bizantinas

Os homens seguiam com Federico até o Grand Canal onde um iate os aguardava. Entraram no iate dando ordem ao marinheiro de que eles podiam zarpar. O marinheiro mais que depressa saiu do canal navegando pelas águas translúcidas do Adriático.

O sol já se mostrava por completo, deixando as águas do mar mais reluzentes. Federico entrou na cabine master do iate, assentou-se numa poltrona móvel de couro e acessou a mesa de comando. Diante dele vários monitores mostravam partes internas e externas da Igreja Hagia Sophia(Santa Sofia), também conhecida como Sagrada Sabedoria, em Istambul.

Analisando as telas, ele se lembrou da primeira vez em que visitou Santa Sofia. Fora há mais ou menos 15 anos atrás. Ele havia feito uma viagem á Istambul a negócios e se encantou pela imponência a magnitude da mesquita. Tornou-se então uma obsessão para Federico estudar a fundo a história de Santa Sofia.

Olhando o monitor A, no qual mostrava a Nave Principal da mesquita, Federico se lembrava dos primeiros ensinamentos que recebera sobre o surgimento da arte bizantina.

Foi na oitava série quando o professor Robertto explicava o nascimento da arte bizantina no oriente. Em sua aula ele dizia que antiga capital do Império do mesmo nome constituído pela parte oriental do Império Romano, Bizâncio foi, em 330, rebatizada pelo imperador Constantino, transformando-se, sob o nome de Constantinopla (Constantinópolis), no centro da Igreja Oriental grego-ortodoxa.

O esplendor da cidade fora enriquecida pela sua posição geográfica no ponto de cruzamento das importantes vias comerciais, manifestou-se principalmente no século VI, durante o reinado do imperador Justiniano, o Grande. Fora graças a ele que diversas igrejas foram erguidas na cidade, destacando-se entre elas a de Santa Sofia, construída em 532 para servir de sede ao Patriarcado.

Federico que na época tinha uma colega com o nome Sophia, achara estranho saber que alguém poderia se chamar, Sabedoria. O professor explicava que a palavra Sophos - Sophia significa em grego, sabedoria. Dado esse nome à igreja, esta tornou-se simbolicamente, a depositária da santificada sapiência e transformou-se no centro da vida eclesiástica da Igreja Oriental. Destruída parcialmente em 558 por um terremoto, foi aperfeiçoada e enriquecida pelo arquiteto Isidoro, o Jovem.

Nenhum edifício bizantino posterior ultrapassou Santa Sofia em maturidade de ordenação da estrutura interna. A vasta nave central, coroada por enorme cúpula e ladeada por duas semi-cúpulas, produziu notáveis efeitos acústicos, tão a gosto da suntuosa liturgia grego-ortodoxa. A influência dessa igreja se refletia até no Ocidente; inspiraram­ se nela os arquitetos da basílica de São Marcos em Veneza, da igreja de São Vital de Ravena(itália) e até da catedral de Aquisgrano, na Alemanha.

O santuário de Santa Sofia foi separado da nave por uma fina parede, dentro da qual a porta central, chamada Porta Santa, e localizada defronte do altar, aprofundava o ambiente de mistério que caracteriza a liturgia local.

No interior da igreja, rico em mosaicos ocultos sob o reboco em época turca, e hoje em parte redescobertos, encontram-se numerosos exemplares de esculturas entalhadas, de capitéis rendilhados e de preciosos mármores policromos. Transformada Santa Sofia em mesquita, após a queda de Constantinopla. A queda do Império Otomano e a tomada do poder na Turquia pelo governo de Kemal Ataturk, conduziram à transformação, da então mesquita, num museu bizantino. Este mantém as características externas bizantino-cristãs conjugadas com as ulteriores adições muçulmanas; ao seu interior, porém, devolveram-se as primitivas características bizantinas, graças à remoção das camadas que as cobriam.

Relembrado essas passagens, ele pode sentir as mesmas emoções de sua primeira visita a Santa Sofia. Desde criança Federico se destoava dos outros meninos, devido seu comportamento adulto e sua inteligência. Participava de todas as exposições de arte com seus pais e gostava de ficar visitando museus e galerias de arte. Cresceu em um meio familiar muito culto e de grandes artistas. Seu avô fora um dos melhores escultores da Itália e seus pais foram os criadores da Instituição Art Noveau de Florença que atualmente se chamava Black Pearl. Então em sua veia corriam sangues artísticos, ele também gosta de dar suas pinceladas, mas por se dispor de pouco tempo devido a escuderia ele deixou as telas um pouco de lado. Mas procurava sempre participar de todos os leilões e exposições referentes principalmente a arte bizantina.

- Com licença, senhor! – interrompeu um homem que entrou na cabine
- O que houve? – perguntou Federico
- Onde iremos ancorar?
- Em Sicília. Me chame Pablo! – ordenou Federico

Federico pegou o telefone e ligou para Istambul:
- Kamilah, como estão as coisas por ai?
- Tudo dentro dos conformes. Estava só esperando um OK para começarmos a operação Black Pearl.
- Não quero um deslize. Façam tudo como combinamos assim ninguém desconfiará de nossas identidades.
- Tudo bem Federico. Pode ficar tranqüilo. Você sabe que eu te amo, não sabe?
- Claro que sei. Foi por isso que lhe confiei esta missão. Eu também te amo, mas amarei mais se tudo correr bem.
- Alguém desconfiou de seu falso rapto?
- Claro que não amore, fizemos tudo tão certo que até eu acreditei que estava sendo raptado. – respondeu Federico dando uma gargalhada
- Que bom! Reze por mim. Uno baccio, amore.

Pablo adentrou na cabine:
- Me chamou senhor?
- Sim Pablo, quero que me faça um favor. Ligue para este número de celular e diga exatamente o que está escrito neste papel.

Pablo pegou o telefone e ligou conforme Federico havia ordenado. Com o papel em sua mão ele lia exatamente como estava escrito para a pessoa do outro lado da linha:

“Para rever Federico Venerari com vida, queremos que desposite a seguinte quantia de US$7.000.000,00, no banco mundial de Verona, conta 2903-64 até no máximo amanhã as nove horas.”