Hagia Sophia - Istambul
Istambul durante a noite parecia um cenário das Mil e Uma Noites. O céu completamente iluminado de estrelas tornava a mesquita de Hagia Sophia algo especial e exuberante.
Kamilah conseguia acompanhar tudo que se passava na mesquita. Os homens de Federico haviam entrado em Santa Sofia em busca de um mosaico bizantino cravejado de pérolas negras e diamantes. Eles atravessaram a nave principal em busca da obra que se encontrava na ala sul da mesquita. Com o mapa nas mãos eles seguiam em direção ao famoso mosaico Madonnas Negras.
Legenda da imagem acima:
1 – Casa do Relógio; 2 – A Escola; 3 – A Fonte; 4 – O Batistério (mausoléus do Sultão Ibrahim e Mustafa); 5 –Mausoléu dos Príncipes Coroados; 6 – Mausoléu do Sultão Murad III; 7 - Mausoléu do Sultão Selim II; 8 - Mausoléu do Sultão Mehmet III; 9 - The present entrance door; 10 – Painel com mosaico de Constantino, Justiano com Maria e Cristo; 11 - Impreador Leon VI amapardo em frente Cristo.; 12 – Estiloso ornamento bizantino de armas; 13 – Urnas de mármore trazidas de Bergama; 14 – Bancos de mármore construídos pelo Sultão Murad III; 15 – Tribuna de Muezzin construída pelo Sultão Murad IV; 16 - Omphalos (Ponto de coroação); 17 - Minbar; 18 – Banco de Sovereign construído e reformado; 19 – O banco anterior de Sovereign; 20 – O corredor próximo ao Minbar e a imagem de Kaaba; 21 – O Altar Mihrab; 22 – A coluna que sua (miraculosa coluna de Hagius Grigorious na era Bizantina); 23 – Biblioteca construída pelo Sultão Mahmud I; 24 – Local no qual eram colocados pratos de mármore feitos a mão; 25 – Sinuosa rampa que leva a galeria; 26 – O Tesouro na era Bizantina (Skevophylakion); 27 – Quarto atrás do banco de Sovereign; 28 – Parede sagrada; 29 - Metatorium (somente para os imperadores); 30 – Porta para entrada leste; 31 - Horologion; 32 – Fonte pública; 33 – Reservatórios de água; 34 -Minaretes;35 -Imaret (local para caridade); 36 – Portão de entrada para o Imaret; 37 - Ounterforts; 38 – Os restos de St Sophia de Theodosius II.
Não tinha como andar pela mesquita e não se maravilhar com a beleza e magnitude de Hagia Sophia. Mizael e seus homens pararam por um momento e se maravilharam com a arquitetura interior. Mesmo com ósculos de visão noturna eles conseguiam ver a esplendorosa decoração.
Hagia Sophia é um vasto retângulo, que mede aproximadamente 100 m X 70 m, com um nártex, ou pórtico, interior e, primitivamente, um átrio ou pátio anterior. O corpo principal da igreja tem naves circundantes, com pouco mais de 15 m de largura, com abóbadas e galerias. Estas naves laterais estão separadas da área central por colunatas - tendo cada coluna um fuste simples de mármore.
Estas naves reduzem a área litúrgica central para 76 metros X 33 m. A cúpula tem 33 m de diâmetro, mas o espaço que cobre estende-se para oriente e ocidente, por meio de grandes semi-cúpulas adjacentes. Estas, por seu turno, abrem para espaços semicirculares, chamados "êxedras". A cúpula principal assenta sobre um quadrado, suportada por quatro pendentes e quatro grandes arcos. Estes quatro arcos transmitem o empuxo para o lado oriental e ocidental mediante as semi-cúpulas acima descritas, e para o lado norte e sul, mediante quatro grandes contrafortes, cada um com cerca de 18 m por 7,5 m, que emergem exteriormente acima dos telhados, das naves laterais.
As semi-cúpulas suportam o empuxo da cúpula principal e, por sua vez o empuxo atinge finalmente o solo, a mais de 30 m do primeiro ponto de impacto. Tudo poderia ter refundado num caos estético, não tivessem as semi-cúpulas e arcos principais arrancado de uma linha horizontal que ocorre a toda a volta do interior. Abaixo desta linha, todas as paredes eram revestidas de mármore, acima dela só havia mosaicos.
A grande cúpula - a 56 m do solo - tem na realidade nervuras. Isto é pouco comum nas obras bizantinas, mas possibilita que o empuxo da cúpula se transmita às 40 nervuras e que, entre estas, na base da cúpula se abram 40 pequenas janelas. Este círculo de luz difusa faz reverberar os mosaicos azuis e dourados. Por isso, Procopius afirmou que a cúpula de Procopius estava suspensa do céu por uma corrente.
O objetivo dos arquitetos, Anthemius de Tralles e Isidorus de Mileto, era construir um interior não só impressionante mas também funcional. Os espaços de Hagia Sophia - arena, naves laterais, êxedras, conchas, abóbadas e cúpulas - abrem todos para fora e para cima, proporcionando perspectivas, relances que vão mudando; tudo é misterioso e semi-oculto e, todavia, tudo está revelado. Procopius descreveu as dualidades existentes: luz e penumbra, espaço e massa, mistério e claridade.
As abóbadas pairam, as colunas executam uma dança coral, a cúpula central está suspensa do céu. Procopius descreveu também as cores: os mosaicos, o brilho difuso do mármore cinzento nas paredes, os fustes de mármore esverdeado, azul e amarelo com veias, os relevos riçados dos capitéis, a madrepérola e as luzes douradas suspensas.
Hagia Sophia era simplesmente lógica, sendo estrutural, decorativa e funcional.
O portão imperial conduz à nave central de Hagia Sophia, o magnífico efeito criado pela enorme cúpula, pelas colunas e arcos de mármore é irresistível. A cúpula tem aproximadamente 55,6 metros de altura por 31,4 metros de largura. Devido às reparações e aos tremores que ocorreram ao longo dos séculos, a cúpula já não é completamente circular. O teto é completamente coberto de mosaicos. A cúpula assenta sobre quatro grandes arcos e estes suportados por quatro pilares.
Ainda na nave principal da mesquita eles puderam ver, a riqueza do chão todo coberto de mármore branco e cinzento, mármores estes que vieram da Ilha de Mármara. A área quadrada do pavimento perto do púlpito do padre é toda decorada com placas quadradas e circulares de mármore. Os imperadores eram coroados ali, no século XIII. O tipo de chão é estranho ao estilo arquitetônico de Hagia Sophia, por isso, deve ser proveniente de outro monumento. O púlpito do padre e os pequenos assentos eram postos de maneira a não perturbar o efeito da arquitetura geral.
As enormes urnas, em ambos os lados do portão imperial, foram trazidas das antigas ruínas de Bergama que foram uma oferta do Sultão Murad III a Hagia Sophia.
Eles seguiram para o final da nave principal entrando na nave sul onde estava o famoso mosaico das Madonnas Negras.
Este mosaico fora todo trabalhado com diamantes e pérolas negras em homenagem a uma mulher que amamentava seu filho em seus braços e ao seu lado havia uma baú de jóias e pedras preciosas. Este mosaico na época havia causado certa polêmica sobre sua interpretação. Estudiosos e artes bizantinas e teologia, diziam que a mulher desde os tempos mais remotos, eram tão vaidosa a ponto de carregar consigo suas bagagens de luxúria.
Afirmações estas que diminuíam a imagem feminina. Uma parte desses estudiosos diziam que somente uma alma feminina poderia ter tanta responsabilidade ao carregar um filho e um baú repleto de preciosidades. Afirmavam que a mulher por sua essência era mais evoluída espiritualmente do que o homem e por isso sua “bagagem” requeria uma responsabilidade que só as almas femininas possuíam.


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